Gargoyles


Gargoyles, desenvolvido pela Disney Software e publicado pela Buena Vista Interactive em 1995, é um jogo de Sega Genesis/Mega Drive baseado na série animada de mesmo nome (transmitida originalmente entre '94 e '97). 

Eu sinceramente não me lembro com qual dos dois eu tive meu primeiro contato, o game ou o desenho, mas lembro que eu adorava ambos. Lembro também que a primeira vez que vi o jogo, provavelmente em '95 ou '96, foi na estante de uma locadora que ficava a algumas quadras da minha casa. Depois de ficar o fim de semana jogando, eu gostei tanto que enchi o saco da minha mãe por alguns meses até ganhar o jogo de presente no meu aniversário. E foi um dos meus presentes favoritos.

Gargoyles é o típico game dos anos 90: um side scroller com elementos de plataforma, onde você controla Goliath, o líder de um clã de criaturas chamadas Gárgulas, que durante o dia se tornavam pedra, e à noite eram defensores de seu castelo na Escócia Medieval. Depois de despertar de uma maldição, que o manteve em forma de pedra por mil anos, ele segue lutando na Manhattan dos dias modernos pra impedir que um artefato místico caia nas mãos erradas. 

Apesar de ser bem competente quando se trata da sua jogabilidade, Gargoyles pra mim foi marcante por sua atmosfera (especialmente a trilha sonora) e seu visual único. Mesmo sendo uma produção da Disney (assim como a animação), o jogo é bem sombrio, deixando de lado inclusive os elementos cômicos que podem ser vistos na série animada, em favor de um tom bem mais sério. 

As animações são perfeitas, especialmente se considerarmos as limitações técnicas da época, e isso era uma marca comum nos jogos desenvolvidos pela Disney. A forma como Goliath anda, seus ataques, o bater das asas, tudo muito bem executado; o contraste do visual, tanto dos inimigos como dos cenários: enquanto Goliath, Demona (outra Gárgula, e antagonista do game) e os inimigos vikings eram apresentados em um estilo de desenho mais tradicional, os inimigos robóticos presentes nos níveis atuais eram feitos com elementos que lembram CGI, com um visual mais moderno. 

Mas sem dúvida o elemento mais impactante do jogo, o que mais ficou fixado na minha memória, é a música. Eu lembro claramente até hoje das músicas que tocavam em cada um dos níveis, a música da tela inicial, a que tocava, épica, quando coletava o Martelo que te dava a habilidade de matar inimigos com um único golpe. Por mais que as animações fossem de altíssimo nível, os níveis muito bem desenhados, as cores perfeitamente escolhidas, foi a música que fez Gargoyles ser um dos meus games favoritos. E não poderia ser diferente, já que um dos responsáveis pela música no game é Michael Giacchino, compositor que foi indicado ao Oscar duas vezes (venceu uma, em 2008, com a trilha sonora da animação Up). 

Esse é um dos poucos jogos que eu gostaria de revisitar. Eu não costumo jogar novamente games antigos que eu amava porque tenho medo de, por estar habituado com o visual e os comandos precisos dos games atuais, acabar me decepcionando. Prefiro manter sempre a lembrança de como eu me sentia na época, sentado no chão da sala, vidrado em frente a TV. Gargoyles é um dos únicos que me deixa com vontade de Apertar Start de novo. 

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