Transistor

Em meados de 2014, quando eu finalmente comprei meu PS4, um jogo que tinha sido lançado alguns meses antes já tava no meu radar depois de ter visto algumas imagens e lido algumas poucas coisas sobre. Mas mesmo já sabendo um pouco do que se tratava, eu definitivamente não estava preparado pra surpresa que seria Transistor.

Produzido e distribuído pelo estúdio indie SuperGiant Games, (que já tinha um bom reconhecimento por seu game anterior, Bastion), Transistor pode ser classificado como um ARPG, mas sinceramente, do meu ponto de vista, as semelhanças com outros games do gênero (e até de outros estilos) são poucas. Todos os elementos de Transistor, mesmo quando similares a vários já existentes, são tão diferentes e únicos em sua abordagem. Se dividirmos o game em quatro principais blocos (narrativa, combate, direção de arte e trilha sonora), temos quatro excelentes áreas que funcionam muito bem individualmente, e funcionam ainda melhor em conjunto.

Cloudbank é um dos cenários de game mais lindos que já vi
Cloudbank é um dos cenários de game mais lindos que já vi
 

Transistor é ambientado em Cloudbank, uma cidade futurista onde seus habitantes podem, por meio de votações, alterar em tempo real o formato de construções, a cor do céu, e o clima. Nesse cenário incrível somos introduzidos a Red, a protagonista. Red é uma famosa cantora, que após um ataque mal sucedido contra sua vida, perde a voz. Ela apenas sobrevive porque um homem, que em momento nenhum do game tem seu nome, sua exata ligação com Red e sequer seu rosto revelados, interfere e se sacrifica por ela. Quando Red desperta após o ataque, encontra o homem caído com uma gigantesca espada luminosa cravada em seu peito: a espada é o Transistor, que dá nome ao jogo. Até aí pode parecer apenas mais uma história clichê, mas quando Red remove a espada, ela descobre que a consciência do homem está aprisionada na lâmina, e juntos eles saem em busca das pessoas que podem ajudá-los a desvendar o que está de fato acontecendo.

Várias coisas a partir desse momento me deixaram impressionado. Quando o homem/Transistor fala com Red, a espada no jogo pulsa, alterando sua luminosidade de acordo com a fala, e isso é amplificado pelo controle do PS4: a barra de luz do Dualshock acompanha exatamente o brilho da espada, e a voz do homem é reproduzida no speaker, dando a impressão de que você está com a lâmina em mãos. A direção de arte também impressiona, suas cores, formas, o estilo mesclando futurismo e o retrô, as animações e o visual de todos os personagens. O gameplay, que combina combate em tempo real com um modo tático, chamado Turn(), no qual você congela o tempo e determina uma sequência de ações que será realizada quando você der o comando. As inúmeras habilidades, chamadas Functions, que são adquiridas derrotando inimigos e podem ser combinadas com outras, o que modifica completamente suas características.

Isso já faria Transistor ser um jogo incrível, mas o grande diferencial, o que faz o game ser algo realmente especial, é o som. Desde o primeiro momento até o final da história, a música e os efeitos sonoros de Transistor são responsáveis por grande parte de sua identidade. Darren Korb, o compositor, junto com a vocalista Ashley Lynn Barret (que empresta sua voz para Red) e Logan Cunningham (a voz do homem/Transistor), fizeram um trabalho absurdo, repleto de emoção, que coloca facilmente Transistor no meu top 5 de games. Inclusive vou deixar aqui o link pra playlist com as músicas do jogo, pra que todo mundo que ouvir entenda o que eu quero dizer.

Eu joguei Transistor por muito tempo, entre 2014 e 2016, até conseguir a platina (que não é das mais fáceis), mas com certeza esse merece que eu Aperte Start mais uma vez.

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